terça-feira, 20 de novembro de 2012

De Jueves a Domingo - 2012

O primeiro filme da diretora chilena Dominga Sotomayor Castillo mostra sua força na direção de fotografia e simplicidade do roteiro.
A proposta é simples: um road movie que mostra a crise de um matrimônio durante a viagem de um casal e seus 2 filhos ao norte do Chile.
Desde o começo a diretora de fotografia Barbara Alvarez usa ângulos obtusos e claustrofóbicos para mostrar o espaço íntimo de uma família dentro de um carro.
Barbara Alvarez já fez belos trabalhos de câmera em "La Mujer sin Cabeza " (2008) de Lucrécia Martel, A vida dos Peixes (2010) e Whisky (2004).
Para mostrar o relacionamento familiar em todos os estados de ânimo a diretora optou por um filme lento e sem ação nenhuma revelando a monotonia do cotidiano.
A linguagem visual fotográfica e o naturalismo cassavetiano onde as crinças interpretam  sem ler o roteiro são os pontos altos do filme, que ganhou prêmios no Festival de Roterdã e no Festival de Cinema independente de Buenos Aires.
Para contrapor a impaciência e insegurança  vivida pela família temos ainda a inserção da bela canção "Quiero dormir cansado" de Manuel Alejandro.

http://www.imdb.com/title/tt1398991/

sábado, 1 de setembro de 2012

Elefante Blanco 2012 - Pablo Trapero

O novo filme do diretor  argentino Pablo Trapero impressiona mostrando uma história áspera e cheia de malícia. Aliás cheia de malícia também é sua técnica de filmar que num plano sequência sai de cima de um prédio, desce uma escadaria e percorre 4 quarteirões até chegar na porta da igreja.
A seqüência é de tirar o fôlego de qualquer cinéfilo.
Depois do ótimo Carrancho (2010) Trapero usa os mesmos atores Ricardo Darin e sua mulher Martina Gusman em belas interpretações.
Os filmes de Trapero são um pouco diferentes dos filmes argentinos principalmente pela temática social e conflitos humanos e dialogam um pouco com nossos Central do Brasil e Cidade de Deus.





http://www.imdb.com/title/tt2132324/

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Clash by night - Fritz Lang 1952


Época de ouro do cinema norte americano. Todos no auge.
Filme sobre traição e relacionamento muito atual.
Gosto muito como Lang aborda a indecisão feminina.
Dá a impressão que estamos vendo um  filme em alta definição de tão boas que eram as fotografias e os enquadramentos.
Marilyn Monroe fazendo meus filmes preferidos (1950 -1955).
Robert Ryan ator de ótimos filmes noir.
Barbara Stanwyck de Double Indemnity.



http://www.youtube.com/watch?v=y-rb7jSRf88&feature=relmfu

http://www.imdb.com/title/tt0044502/

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Los colores de la montaña - 2010

Filme de estréia do diretor colombiano Carlos César Arbeláez.
A película foi a indicada da Colômbia para o Oscar de filme estrangeiro em 2012 e venceu o Kutxa-Nuevos Directores em San Sebástian.
É uma história simples mas com um pano de fundo bem sério.
A situação política da Colômbia nas últimas décadas envolvendo as lutas populares com os paramilitares deve ser conhecida e serve de teia para o filme.
O roteiro surpreende e os mini atores amadores dão um ar um pouco menos ficcional ao filme.
A Colômbia tem hoje em dia uma fraca produção cinematográfica e este filme deve motivar um começo para outras produções. A película se enquadra nos moldes sul americanos muito bem dirigidos e com caprichados planos. Reparem nas cores que ao longo do drama vão perdendo intensidade mostrando como a situação das crianças vai ficando cada vez mais triste.

http://www.imdb.com/title/tt1715853/

terça-feira, 31 de julho de 2012

Le petits mouchoirs 2010

O terceiro filme do ator-diretor Guillaume Canet não ganhou nenhum prêmio internacional e não mostra nenhuma inovação estética e visual. O filme tem na direção de atores seu ponto forte.
O filme se sustenta e não perde o ritmo principalmente pela bela escolha de casting. Não é a primeira vez que o diretor explora um cinema não-francês. Seu filme anterior "Não Conte à ninguem (2006)" mostra forte influência hitchcockiana e de suspense.
Neste começa oferecendo um belo plano de um acidente de moto.
Claro que o diretor viu muitos filmes de Cassavetes e até de Woody Allen, mas a tentativa de filmar um dramalhão de chorar (como diz o próprio nome "lençinho") é evidente.
Outro ponto forte do filme é a forma como o diretor mostra a geração que hoje tem 40 anos.
Ao contrário do filme "The Big Chill (83)" de Lawrence Kasdan, os quarentões de hoje não estão interessados em lutar por algum ideal ou chorar as pitangas pelos sonhos não atingidos na adolescência. Vale a pena conferir os atuais atores do cinema francês em ação.
Marion Cotillard está grávida no filme e na vida real também espera um filho de Guillaume Canet.
François Clouzet, Gilles Lellouche, Laurent Lafitte e Benôit Magimel arrastam muita gente ao cinema na frança. Há também uma ponta do vencedor do Oscar Jean Dujardin. Há muitas críticas negativas ao filme, mas analisando o filme sob uma lente não francesa talvez possamos desfrutar e aproveitar este ótimo filme.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

2 filmes

Ultimamente ando muito impressionado com filmes estrangeiros.
 Gostei muito de "The Human Resources Manager" (2010) de Eran Riklis. Riklis é um diretor israelense e já havia filmado "Lemmon Tree" (2008) e "A Noiva Síria" (2004). Neste mostra como um gerente de Rh de uma padaria tenta evitar críticas de Direitos Humanos por não se importar com a demissão de uma funcionária romena, que foi morta num ataque terrorista em Jerusalém. Aliás a tentativa do Estado de Israel de estar em dia com os Direitos Humanos vem sendo uma constante nos últimos anos. Candidato de Israel para o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2011.
Outro filme que merece destaque é "L'Apollonide (Souvenirs de la maison close)" (2011) do francês Bertrand Bonello. O filme mostra a vida de prostitutas na frança em 1899. Foi indicado para a Palma de Ouro em Cannes em 2011.


Human Resources Manager 2010


L'Apollonide (Souvenirs de la maison close)" (2011)


Michael - 2011 de Markus Schleizer (Áustria)

Novamente o cinema austríaco coeso como nunca.
"Michael" conta a história de um pedófilo que mantém um garotinho de 10 anos aprisionado no porão de casa. O filme é tenso e o roteiro direto e inicialmente  levou vaias na sua  exibição na Competição de Cannes em 2011. O diretor Markus Schleizer, que foi diretor de casting de Haneke e Ulrich Seidl, consegue criar um pedófilo que leva uma vida normal. É isto o que mais impressiona em "Michael", que foi concebido com o incentivo do próprio Haneke nos sets de filmagem de "A Fita Branca" (2009). A escolha de atores é o outro segredo do filme assim como a filmagem com cortes bruscos que lembra muito os filmes de Michael Haneke e os filmes dos irmãos Dardenne. Muitos escreveram que é uma tentativa de humanizar o monstro, mas na verdade é o perfeito registro desta patologia na sociedade que vivemos. Schleizer disse numa entrevista que pensou muito na atual sociedade e quis fazer um filme amplo inclusive contando com a ajuda de uma psiquiatra forense (Dr. Heidi Kastner). Gosto muito da influência direta que o diretor sofreu do alemão Michael Haneke principalmente quando filma por sugestão fazendo com que as cenas nunca apareçam, ficando sempre implícitas. Schleizer cria cenas sufocantes quando mantém os planos no limite do quadro e só extrapola essa idéia no "travelling" com um garotinho no Kart indoor. A cena onde Michael (Michael Fuith) canta o tema "Sunny" deixa claro o senso de ironia que Schleizer quer mostrar. Geralmente os cinéfilos lembram só de Haneke, mas na Áustria há também o diretor Ulrich Seidl com seu "Dog Days" (2001) e o próprio Karl Markovics "Atmen" (2011)  criando uma escola cinematográfica única.